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21 fev 2019

O desafio nas empresas de fazer mais com menos

Em recente palestra na FGV abordei o tema de como a Internet das Coisas e a Indústria 4.0 mudará no curto prazo, de forma radical, a maneira como produzimos e conduzimos a expertise e relações com os nossos colaboradores.

Para aqueles que nos leem e não puderam participar, deixe-me esclarecer de maneira rápida sobre o que estou falando. No mercado internacional, principalmente Europa e Estados Unidos, a indústria está passando por uma revolução (Indústria 4.0), que é a mudança nos modelos de decisão e automação de processos. Não estamos falando aqui de robôs atuando nas indústrias. Estamos falando da Internet das Coisas, que são os nossos smartphones se conectando a outros equipamentos eletrônicos, diretamente, sem a nossa necessária intervenção, como aos aparelhos de tv em nossas casas e ao som de nossos veículos. Isso que para nós soa de forma um pouco cotidiana seguirá crescendo aceleradamente e, assim como no nosso meio pessoal, assumiu papel fundamental na cadeia produtiva.

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Os pedidos passarão a ser feitos diretamente pelos sistemas, que lerão os estoques automaticamente, captarão as demandas por períodos, frequências, modelos, e outros fatores desejados e providenciarão a reposição com as indústrias, com as margens e preços dentro dos padrões determinados e negociados entre as partes. Os estoques serão compartilhados por várias lojas.

Poderemos entrar numa loja, escolher e provar uma roupa, e executar a compra sem levar a peça, que será comodamente entregue em nossa casa poucos dias depois. Isto porque a loja servirá somente como mostruário, que sem a necessidade de estoques físicos locais ou de vendedores, atuará com custos e margens extremamente favoráveis. A Amazon já atua com lojas sem nenhum vendedor. Podemos entrar com o código fornecido em nosso Smartphone, retirar os produtos e sair da loja, pois todos os dados do que retiramos e valores serão descarregados em nossos aparelhos. O Walmart já atua com lojas sem caixas, onde um scanner lê todas as compras no carrinho, sem retirá-las, e apresenta o valor a ser debitado. Este modelo já chegou a São Paulo.

Para aqueles que se assustam e imaginam que perderemos postos de trabalho, a boa notícia é que a tendência é exatamente inversa. Na Alemanha, se projeta um crescimento de 6% na demanda de empregos, visto a necessidade de programadores, engenheiros, consultores, administradores, entre outros. Contudo, avalia-se que somente 20% da mão de obra existente hoje está preparada para a demanda necessária. Em outras palavras, quem não buscar conhecimento, quem não buscar estudo, quem não se especializar, pode sim ficar a margem do mercado. Passamos por uma revolução novamente das máquinas de escrever para os computadores. Quem ficou preso ao passado, já não está atrativo para o mercado de trabalho.

Esta revolução está muito próxima de nós e os primeiros eventos já começaram a chegar. Temos tempo de nos preparar, estudar o assunto, buscarmos mais e mais conhecimento para sustentação e modernização de nossos negócios.

Estou ao dispor de todos para discutir e ampliar os conhecimentos neste novo mar de oportunidades que se aproxima.

Mestrando em Economia e Gestão empresarial, MBA em Gestão Empresarial FGV-RJ, MBA em Formação Gerencial FGV-SP, Formado em Administração de Empresas, Diretor na Ágil Consultoria e Treinamento, diversos artigos publicados e Professor na FGV.

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