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28 abr 2020

Aprenda com seus erros

Construir algo que é seu leva tempo e é provável que você tenha mais buracos pelo caminho do que pista livre.

Isso me lembra a seguinte citação:

“Você não pode criar experiências. Você deve ser submetido a elas, passar por elas.” Albert Camus

É claro que podemos aprender com os outros e por isso devemos sempre estudar sobre o que desejamos construir. Mas simplesmente ouvir ou ler um livro de empreendedorismo não nos torna empreendedores. Ser empreendedor é saber lidar com os percalços e problemas, é saber fracassar é aceitar o risco a todo momento.

Empreender sem dinheiro muitas vezes significa perder tudo aquilo que você juntou a vida toda. Ou até mesmo perder investimentos que nem eram seus, como empréstimos bancários por exemplo.

E como a citação acima diz, precisamos viver a experiência. E apesar do título do artigo e desse empreendimento já ter sido descontinuado, o considero a minha melhor experiência.

Uns de 3 anos atrás contratei uma nutricionista que preparou 5 receitas de saladas, para serem vendidas em potes de 750ml. Para me preparar adequadamente fiz um curso de higienização de alimentos no SEBRAE, desenvolvi minhas próprias técnicas de lavagem e secagem dos alimentos, principalmente as folhas. Não queria que elas ficassem murchas ou “quebradas”.

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Paralelo a isso criei o que seria o conceito da minha “marca”. Queria que fosse algo com valor para a sociedade, além é claro de me sustentar. Buscava um preço de venda justo, onde eu levasse um produto de qualidade e que ele fosse acessível. Acredito que todo empreendimento deva ter um propósito.

Eu fazia tudo sozinho. Criei a marca (chamada de Saladin), dei nome de bairros da minha cidade para as diferentes opções. Busquei fazer as entregas de bicicleta e compensava as emissões de carbono das embalagens plásticas contribuindo para uma ONG que replantava mudas da mata atlântica.

Aos poucos descobri contatos em fornecedores de hortaliças, pequenos produtores e montando a minha “rede” de fornecedores de confiança. Quando empreendemos é preciso saber escolher seus parceiros com o maior cuidado do mundo.

Montar as saladas era uma “operação de guerra”, higienizar o ambiente, lavar e secar as hortaliças, fatiar, ralar, montar… ufa! Mas era divertido demais!

Criei algumas campanhas no instagram da marca, brincando com outras campanhas famosas ou com situações do dia-a-dia, Beirei os 5 mil seguidores e aprendi mais uma lição. Não precisava de seguidores, precisava de clientes! Desenvolvi maneiras de promover a minha marca através de parcerias feitas com influenciadores digitais.

No auge eram 12 pontos de venda físicos e mais de 250 potes de salada vendidos por semana!

Mas e ai você pergunta: onde está o erro? Simples, não me preparei para a sazonalidade das vendas. Os locais de venda (normalmente pequenos cafés) ficavam com o produto em consignação e se não vendia eu ficava com o prejuízo. Quando o tempo ficava mais ameno as vendas caíam também, sem falar no apelo por ser novidade ou mesmo os modismos pontuais. Financeiramente não me preparei para esses contratempos. Estudei bastante sobre como fazer os alimentos e não dediquei tempo a entender o mercado que eu estava entrando. Isso pode ser mitigado se o seu Canvas ou Plano de Negócios for feito com cuidado.

Então tive que fazer uma escolha, apesar de me divertir muito, pois financeiramente não era mais viável manter a operação.

O que eu aprendi? Que sou plenamente capaz de criar qualquer coisa do zero! E claro, me ajudou a ver outras variáveis que hoje não causaram impacto em meu negócio atual. Por isso é preciso viver uma experiência! Óbvio que ainda tenho o que aprender e que irei passar por outras situações, mas o Saladin ainda é minha melhor criação. Onde eu redescobri toda minha capacidade e vivi situações que me prepararam para o meu passo seguinte.

Não tenha medo de fracassar, eles podem ser muito úteis e divertidos!

Thadeu Fayad
Head de Operações na All Integra

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