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24 out 2018

Admirável mundo velho

Co-working? Economia colaborativa? Lógica da abundância? São essas as “novas” respostas para um mundo em permanente crise, afogado em dívidas públicas e externas, assombrado pelo crime e pela corrupção e especialmente pelo egoísmo.

Mas são elas respostas novas mesmo? E mais: Por que precisamos vender tão desesperadamente soluções “novas” se soluções velhas são excelentes e inspiradoras?

O Co-working é um irmão mais novo das guildas, das corporações de ofício. Profissionais dividindo um espaço, um teto e de vez em quando (muito de vez em quando mesmo) um mesmo propósito. Nada de novo amigos, mesmo. E que bom. Pois o Co-working é uma linda solução para responder à especulação imobiliária e à crise de criatividade, ao mesmo tempo que reforça a cultura da “fazeção”, a cultura maker.

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A Economia Colaborativa é um papo bem mais sério. Em primeiro lugar, ela parte de uma premissa de confiança mútua, algo bem “old school”. Nada mais velho do que o velho negócio na base da confiança (talvez seja esse o grande desafio dessa economia que colabora). Nada mais vintage do que a troca, de serviços e de bens. Linda resposta antiga para uma economia de consumo totalmente endividada, sem oxigênio e hackeada pela sua própria insuficiência.

A Lógica da Abundância talvez seja a mais velhota de todas. Sempre acreditamos em recursos infidáveis, em fontes inesgotáveis. Talvez vivamos hoje essa abundância (especialmente quando se trata de produtos industrializados). Há um paradoxo: abundância do que é feito pelo homem, escassez de recursos naturais. Isso sim é novo meus caros.

Não há um incrível mundo novo surgindo, há um mundo novo que olha para o velho e encontra respostas. Isso também não é novo. E para ser honesto nem precisa ser. Basta ser e continuar sendo genial.

Gustavo Brito
Projetista e Gestor da Escola de Rebeldia da RESERVA